O Instituto S. João de Deus – Telhal é a unidade mais antiga do ISJD em Portugal e um dos centros de saúde mental mais emblemáticos do país. Localizado no concelho de Sintra, foi inaugurado em 1893 por S. Bento Menni, tornando-se o primeiro centro assistencial da Ordem Hospitaleira após a sua restauração.

Com mais de 130 anos de missão, o ISJD–Telhal combina tradição, ciência, espiritualidade e inovação, oferecendo cuidados humanizados e profundamente centrados na pessoa. 

Áreas de atuação

Saúde Mental e Psiquiatria

  • Intervenção clínica especializada em saúde mental, incluindo diagnóstico, tratamento e acompanhamento de perturbações psiquiátricas, com planos terapêuticos individualizados e equipas multidisciplinares.

Alcoologia, Comportamentos Aditivos e Dependências

  • Intervenção estruturada em alcoologia e outras dependências, com programas de desabituação, estabilização clínica, acompanhamento psicoterapêutico e reintegração progressiva na comunidade.
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Reabilitação Psicossocial

  • Desenvolvimento de competências pessoais, sociais e funcionais através de programas terapêuticos, ocupacionais e comunitários, promovendo autonomia e inclusão social.
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Demências e Neurocognição

  • Intervenção especializada na avaliação, acompanhamento e cuidado de pessoas com demência e outras alterações neurocognitivas, integrando apoio clínico, estimulação cognitiva, acompanhamento psicossocial e suporte às famílias e cuidadores.

A nossa história

Inaugurado em 1893 por S. Bento Menni, o ISJD–Telhal (antiga Casa de Saúde do Telhal) marcou o renascimento da presença da Ordem Hospitaleira em Portugal após a extinção das ordens religiosas em 1834.

Historicamente relevante, acolheu soldados com perturbações mentais durante a Primeira Guerra Mundial, oferecendo cuidado especializado e humanizado numa época em que poucas respostas existiam.

Ao longo de mais de um século, o Telhal:

  • inovou nas práticas de psiquiatria e reabilitação,
  • reforçou modelos terapêuticos baseados na ocupação, expressão e relação,
  • integrou projetos comunitários e criativos,
  • e manteve viva a missão de cuidar com Hospitalidade, dignidade e respeito pela pessoa em todas as dimensões da sua vida.

Hoje, continua a ser um dos centros mais respeitados da área da saúde mental em Portugal.

Mais sobre a nossa História

A Ordem Hospitaleira foi extinta em Portugal em 1834, na sequência das convulsões políticas da época, e restaurada em 1893 por S. Bento Menni, que adquiriu a Quinta do Telhal à família Van Zeller, por escritura pública de 29 de julho de 1893, com o objetivo de fundar uma Casa de Saúde para doentes mentais e uma Escola Apostólica para jovens portugueses.

Os doentes começaram a ser assistidos gratuitamente e os Irmãos pediam esmola devido à escassez de recursos existentes. Durante décadas, viveu-se das esmolas e daquilo que se cultivava na terra: pão, fruta, legumes e criação animal. Só mais tarde foram admitidos os primeiros pensionistas.

Em 1914, o Governo português solicitou aos Irmãos de S. João de Deus os seus serviços para prestarem assistência aos militares vindos da Primeira Guerra Mundial, regressados de França e mentalmente perturbados.

As pensões que o Governo pagava pelo serviço prestado aos militares internados, bem como algumas economias, permitiram realizar novas construções na quinta, nomeadamente o pavilhão de S. José, que, por volta de 1918, chegou a ser considerado o melhor serviço da Europa para pessoas com doença mental.

O número de utentes continuou a aumentar, tal como o número de edifícios, e o complexo foi assumindo o aspeto de uma pequena povoação, com várias construções, ruas e jardins.

Os doentes distribuíam-se pelos edifícios de acordo com os seus quadros psicopatológicos e habitavam-nos como se vivessem em grandes casas de campo, agradáveis e arejadas.

A evolução terapêutica na Casa de Saúde do Telhal foi sempre marcada pela preocupação de reabilitar os doentes para a vida social através do trabalho, tendo o trabalho industrial e agrícola assumido um papel importante no controlo dos efeitos da doença mental.

A par dos melhores estabelecimentos da Europa, foram-se desenvolvendo métodos reconhecidamente eficazes para a época, como a hidroterapia, a diatermia, a organoterapia, a seroterapia, a malarioterapia e a eletroconvulsoterapia.

A terapêutica convulsionante foi aqui iniciada pelo Professor Diogo Furtado, em 1936, e, nos anos 30, o Professor Egas Moniz, acompanhado pelo Dr. Almeida Lima, efetuava as primeiras lobotomias aos doentes internados.

Em 1936 foi criada a Escola de Enfermagem, essencialmente destinada à formação dos Irmãos de S. João de Deus, e, entre 1953 e 1954, foi construída uma clínica com bloco operatório e capacidade para 20 camas, tendo estas valências contribuído significativamente para a notoriedade deste centro assistencial.

Instituto S. João de Deus - Telhal | Exterior
Instituto S. João de Deus - Telhal | Igreja Noite
Instituto S. João de Deus - Telhal | Igreja
Igreja Noite | Instituto S. João de Deus - Telhal
Fotografia Aérea