No Instituto S. João de Deus, a saúde mental e os cuidados paliativos fazem parte da nossa identidade, da nossa história e, sobretudo, da nossa missão. A 10 de outubro, assinalamos duas datas que nos recordam por quem trabalhamos todos os dias: pelas pessoas que confiam nos nossos cuidados, pela sua dignidade, autonomia e qualidade de vida. É por elas e para elas que procuramos fazer o bem, bem feito, aliando ciência, rigor, humanidade e Hospitalidade.
Há mais de 130 anos que a Hospitalidade orienta o trabalho do Instituto S. João de Deus. Ao longo deste percurso, a evolução do conhecimento científico, das práticas clínicas e das respostas assistenciais tem permitido melhorar continuamente a qualidade dos cuidados. Mas há algo que permanece inalterado: a convicção de que cada pessoa é muito mais do que a sua doença, o seu diagnóstico ou as suas limitações.
O Dia Mundial da Saúde Mental e o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, ambos assinalados a 10 de outubro, têm, por isso, um significado particularmente importante para o ISJD. Não são apenas datas de sensibilização. São uma oportunidade para refletir sobre a responsabilidade que assumimos diariamente perante as pessoas que acompanhamos e para reafirmar o compromisso de prestar cuidados de excelência, fundamentados na evidência científica e profundamente humanizados.
Saúde mental: escutar para transformar
Sob o mote "A Voz da Experiência Vivida: Vozes Reais, Mudança Real", o Dia Mundial da Saúde Mental destaca a importância de reconhecer o conhecimento e a experiência das pessoas que vivem com problemas de saúde mental, envolvendo-as ativamente nas decisões sobre os seus cuidados e os seus projetos de vida.
Falar sobre saúde mental é essencial. Mas escutar é indispensável. Uma escuta que não se limita a ouvir, mas que reconhece direitos, respeita escolhas e se traduz em práticas que promovem a autonomia, a participação e a inclusão social.
Como destaca Rita Gomes, Diretora Clínica do ISJD-Angra do Heroísmo, "No cuidar da doença mental, ouvir é o primeiro passo. Envolver as pessoas nas decisões que moldam as suas vidas é essencial para transformar a escuta em ação."
Nos Centros Assistenciais do Instituto S. João de Deus, este compromisso concretiza-se diariamente através do trabalho de equipas multidisciplinares que aliam conhecimento científico, experiência clínica e proximidade humana. Porque promover a saúde mental é também criar oportunidades, fortalecer capacidades, combater o estigma e reconhecer em cada pessoa o direito a construir o seu próprio caminho.
Cuidados paliativos: cuidar da pessoa inteira, em todas as fases da vida
O Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, celebrado este ano sob o tema «Tratamento da Dor: uma parte essencial dos Cuidados Paliativos», recorda-nos que aliviar o sofrimento é uma responsabilidade clínica e humana fundamental.
Quando a cura não é possível, há muito que continua a ser possível fazer. Controlar a dor, aliviar sintomas, proporcionar conforto, acompanhar as famílias e responder às necessidades emocionais, sociais e espirituais de cada pessoa são dimensões essenciais de cuidados verdadeiramente integrais.
No ISJD, os cuidados paliativos refletem a convicção de que a dignidade humana não diminui com a doença, com a dependência ou com a aproximação do fim da vida. Pelo contrário, é precisamente nos momentos de maior vulnerabilidade que o conhecimento científico, o rigor clínico, a compaixão e a presença se tornam ainda mais necessários.
Como recorda o Pe. Custódio, capelão do ISJD-Lisboa, "Acolher com Hospitalidade, cuidar com compaixão, aliviar com ternura e caminhar com fé: porque onde há presença, há conforto; onde há esperança, a vida continua a encontrar sentido."
Quando a cura não é possível, o cuidado permanece
A propósito destas duas datas, o Instituto S. João de Deus divulga também o artigo «Quando a cura não é possível, o cuidado permanece», publicado no Observador, que convida a refletir sobre a importância dos cuidados paliativos no acompanhamento das pessoas com doença mental.
O artigo destaca o projeto MIDAS — Morte Interna Digna, Acompanhada e Serena, desenvolvido no ISJD, que procura responder às necessidades das pessoas com doença mental grave que necessitam de cuidados paliativos, assegurando um acompanhamento adequado, próximo e respeitador da sua história de vida.
Esta abordagem reforça a importância de integrar diferentes áreas do conhecimento e de ultrapassar barreiras que ainda condicionam o acesso aos cuidados, particularmente entre as pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Leia o artigo «Quando a cura não é possível, o cuidado permanece», no Observador.
Nos dias 22 e 23 de outubro, em Barcelos, iremos realizar o I Congresso Ibérico de Cuidados Paliativos em Saúde Mental S. João de Deus, inscreva-se já!
O bem, bem feito. Todos os dias, por cada pessoa.
Assinalar estas duas datas é, acima de tudo, reconhecer as pessoas que dão sentido à nossa missão. São elas a razão pela qual procuramos aprender mais, investigar, inovar, melhorar as nossas práticas e exigir de nós próprios os mais elevados padrões de qualidade.
É por cada pessoa que trabalhamos para prestar melhores cuidados. É por cada pessoa que a ciência e a inovação devem estar ao serviço da humanidade. É por cada pessoa que defendemos uma Hospitalidade que se traduz em ações concretas, no respeito pelos seus direitos, na atenção às suas necessidades e no reconhecimento da sua individualidade.
Este compromisso é assumido, todos os dias, pelos profissionais, colaboradores, voluntários e Irmãos de S. João de Deus que dão continuidade a uma missão com mais de um século de história em Portugal.
Porque, no Instituto S. João de Deus, fazer o bem, bem feito, significa colocar todo o nosso conhecimento, competência e humanidade ao serviço de cada pessoa. Com ciência, com rigor e com Hospitalidade. Sempre.