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  • COVID-19: Testemunho da terapeuta Adriana Moleiro

    2020-08-06

    Apresentamos o testemunho de uma das terapeutas da Clínica S. João de Ávila.

    Com muita sabedoria, escreve D. Tolentino Mendonça que “a crise é essencial para podermos crescer. Não faz sentido alimentarmos uma visão puramente negativa da crise. O que nos é pedido, antes de tudo, é que escutemos a sua voz, tornando-a um lugar de aprendizagem. O verdadeiro problema é geri-la, que fazer uso dela. A vida é o perde-ganha. E nesta perda inscreve-se a possibilidade surpreendente por onde o imprevisto de Deus pode entrar.” E foi aqui, no imprevisto da crise, que o vírus pôde produzir fruto no meu coração, ajudando-me a ver para além do olhar e a dar importância ao que realmente importa.

    Olhando a minha vida e a minha história à luz desta crise, também sofri e também perdi; o tempo de trabalho, o rendimento habitual, os planos que já não vão acontecer como tinha idealizado. Ainda assim, com as dificuldades próprias, não tenho a menor dúvida que me trouxe mais coisas boas que más! A possibilidade de estreitar relações, tanto familiares como com os amigos e até no trabalho. A dedicação e o esforço do trabalho em equipa, zelando por cada um. A proximidade com os Utentes e as suas famílias, nas chamadas telefónicas, pois vivenciar um momento da intimidade familiar e da preocupação entre pais, filhos, avós e netos é impagável. Este vírus trouxe-me experiências humanas muito profundas que, de outro modo, possivelmente não teria oportunidade de vivenciar. Mais do que isso, a presença deste vírus impele-me a não ficar parada, mas a poder dedicar o meu tempo onde for preciso, com quem for preciso. Estamos todos na mesma barca, como nos dizia o Papa Francisco, “o drama que estamos a atravessar neste período impele-nos a levar a sério o que é sério, a não nos perdermos em coisas de pouco valor; a redescobrir que a vida não serve, se não se serve.” Nesse sentido, este tempo foi para mim como um bálsamo, que me encheu de ânimo e esperança para me pôr ao serviço, para deixar de olhar apenas para o meu umbigo, mas preocupar-me com o amigo, com o colega, com aquele que está ao meu lado.

    Gostaria de salientar o bonito carisma de hospitalidade que se vive, que se reflete na preocupação pela saúde e bem-estar dos Colaboradores. Senti isso de forma muito concreta, quando, para evitar o contágio nos meios de transporte público e também para proteger a família em casa, os Irmãos se disponibilizaram a acolher quem tivesse esta mesma preocupação. Foi um sinal importante da sua vocação e presença, ao estilo de S. João de Deus.

    Já de há muitos anos, mas muito conhecida, diz-nos a frase de Nietzsche “o que não nos mata torna-nos mais fortes”. Assim está a ser comigo e, graças a Deus e a S. João de Deus, com a Clínica de São João de Ávila, que, com todo o esforço, empenho e dedicação, se mantém a funcionar, de sorriso “escondido”. Decerto, sairemos todos mais fortes desta fase!

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